Fonte: “Análise de Temas Sociais – Vol.2”, de Mário Ferreira dos Santos.

“Leiamos estas palavras:

‘Com sua monstruosa máquina, dá o Estado a qualquer um a sensação do sufocamento. O Estado era suportável para o indivíduo, enquanto se contentava em ser soldado e polícia; mas hoje o Estado é tudo: banqueiro, usurário, proprietário de casas de jogo, navegante, rufião, agente de seguros, carteiro, ferroviário, empresário, mestre, professor, vendedor de tabaco e inumeráveis outras coisas mais, além de suas funções anteriores de polícia, juiz, carcereiro, e recolhedor de impostos. O Estado, esse Moloque com traços espantosos, vê hoje tudo, faz tudo, controla tudo, e arruína tudo. Cada função estatal é uma desgraça. Uma desgraça a arte do Estado, a navegação do Estado, o abastecimento estatal, e a litania poderia prosseguir até o infinito…Se os homens tivessem apenas um pálido pressentimento do abismo para o qual se dirigem, cresceria a cifra dos suicídios, pois vamos para o aniquilamento completo da personalidade humana. O Estado é aquela terrível máquina que devora seres vivos e os vomita depois como cifra mortas. A vida humana não tem já segredos, não tem intimidade, nem no material, nem no espiritual; todos os rincões foram registrados, todos os movimentos medidos; cada um está encerrado em seu ofício e encerrado como numa prisão.’

Quem pronunciou tais palavras? Quem as escreveu?

Nada menos que Benito Mussolini (in Popolo d’Italia, 6 de abril de 1920), o mesmo duce, o guia imortal do povo italiano, o déspota do manganello e do olio di rícino, o poderoso chefe dos camicie nere.

[…]

E eis, depois da ‘Marcha sobre Roma’, e de apossar-se do poder, o que dizia o socialista Mussolini:

‘ Os homens estão cansados da liberdade; dela fizeram uma orgia. A liberdade não é hoje a virgem casta e severa pela qual combateram e morreram gerações da primeira metade do século passado. Para a juventude empreendedora, inquieta, audaz, que se mostra na aurora da nova história, há outros valores que exercem um encanto muito maior: Ordem, hierarquia e disciplina. E preciso saber, de uma vez por todas, que o fascismo não reconhece ídolos, não adora fetiches. Mas sobre o corpo mais ou menos envelhecido da deusa liberdade já avançou, e se for preciso, voltará a marchar sobre ele… Os fatos significam mais que o livro, a experiência mais que a doutrina: as grandes experiências da postguerra, aquelas que se operam ante nossos olhos, mostram a decadência do liberalismo. Rússia e Itália indicam que se pode governar por sobre e contra a ideologia liberal. O comunismo e o fascismo estão fora do liberalismo.’ (Publicado em Gerarchia, em abril de 1922, sob o título ‘Força e Consentimento’).”

 

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